01/10/16

Massa com amêijoas

Olhei para elas e riram-se para mim. Foi amor à primeira vista. Coitadas, nem imaginavam o triste fim que as esperava.
Eram grandes, brilhantes e com aquele inebriante perfume a mar a que é impossível resistir.
Eu chamar-lhes-ia amêijoas pata-de-burro, mas na etiqueta davam pelo nome de "amêijoa fresca". Mais frescas do que estas só tiradas do mar.
Chegadas a casa foram logo para o banho, e fez-lhes bem porque largaram alguma areia naquela água com umas pedritas de sal grosso.

Os ingredientes corriqueiros:
1 cebola picada
2 dentes de alho grandes picados
1 pacote de polpa de tomate
1 folha de louro
1 copo de vinho branco
1 colher de sopa de Madeira
2 bird-eye
4 colheres de sopa de caldo de peixe (preparado por mim, nada de industrialismos).
salsa picadinha (para largar mais cheiro)
coentros picados (grosseiramente, pois caso contrário perdem o aroma)
Uns quantos camarões, mais uns cubos de tamboril e uns mexilhões.

Entretanto, água ao lume para cozer a massa com um pouco de açafrão para dar cor.

Depois de apurado o refogado, as amêijoas abriram e ainda emprestaram um sabor a mar especial ao preparado.

Cozida a massa, foi esta fazer de cama numa travessa na qual as amêijoas se deitaram para irem à mesa.





03/08/16

Beldroegas

Não sou muito de sopas. Mas há algumas de que gosto mesmo e a de beldroegas é uma das minhas preferidas.
Pena é que estas ervinhas apareçam por tão breve tempo no mercado.
Há quem lhes chame de daninhas, deve ser gente que nunca experimentou tal repasto.
Como a concepção nao correu a meu cargo, fica aqui apenas a lista de ingredientes e a fotografia.
 


1 molho de beldroegas
1 pouco de bacon
2 batatas
2 ovos escalfados
fio de azeite



21/04/16

Tamagoyaki

A famosa omelete japonesa enrolada. O segredo reside apenas na paciência. 
Ingredientes:

Ovos, pois não se fazem omeletes sem ovos
molho de soja,
saké
açúcar
mirin
água
óleo para untar a frigideira, que tem de ser quadrada



12/04/16

豚の生姜焼き

Que é como quem diz: buta no jinjaa yaki ou seja, Porco frito com gengibre.

Uma vez mais a simplicidade japonesa traduzida num prato delicioso.

Preparação:
Cortar a carne de porco em tiras pequenas. A receita original aconselha a nossa conhecida "entremeada" (com pouca gordura).

Deixa-se a carne a marinar em... Ginger Ale!!! Isso mesmo, pois vai emprestar o sabor do gengibre à carne. Além do Ginger Ale há que juntar o sempre imprescindível molho de soja (japonês, como é evidente). Quem quiser dar um toque mais salgado, pode acrescentar um pouco de miso.
Guarda-se no frigorífico de 30 minutos a uma hora. Coa-se e reserva-se a marinada. Envolve-se a carne em fécula de batata (pouca quantidade porque, caso contrário, faz uma pasta quando vai a fritar.

Um pouco de óleo numa frigideira e a carne lá para dentro até alourar. Convém ir mexendo para não deixar pegar. Quando a carne estiver alourada, banha-se com a marinada e cozinha-se até esta quase desaparecer.

Acompanha-se com arroz japonês, couve-chinesa cortada muito fina, tomate e pepino.



 

16/03/16

Quem vai para o mar avia-se em terra

Não ia para o mar, mas sim para o ar.
Antes de seguir as pegadas do Bartolomeu de Gusmão passei pelo Japan Centre, perto de Picadilly, em Londres, e levei como farnel, entre outros, estes nigiri de rosbife.
Uma fusão algo estranha que serviu para amparar a barriga durante o trajecto de comboio desde Londres até ao aeroporto de Gatwick.

 

Hóstias de camarão

Uma apresentação maravilhosa, um sabor requintado, sobretudo para quem gosta de marisco.
Hóstias de camarão, produzidas em Nagoya e oferecidas por Shihoko Gouveia.

20/02/16

Risotto de limão com navalhas

Quando eu era puto, costumava passar as férias de Verão em Setúbal e ir à praia num verdadeiro Paraíso que dava pelo nome de Tróia. A Atlântida afundou-se e a Tróia estragou-se.
Mas não se estragaram as memórias de uns mariscos fantásticos que dão pelo nome de navalhas, e que então se apanhavam com relativa facilidade em certas zonas daquele areal a perder de vista, tão longe da destruição que lhe foi infligida pela "indústria do turismo".
As ditas navalhas terminavam invariavelmente numa sertã regada com um fundo de azeite, uns dentes de alho e muitos coentros. Era de comer, recomer e molhar o pão na molhaca que sobrava.
Puro e duro, pois ninguém pensava em nouvelle cuisine nem em pratos grandes com uma ilha no meio só para encher o olho e deixar a barriga a dar horas.
Hoje atravessaram-se-me no caminho umas belíssimas navalhas: olhei para elas, com o meu jeito tímido costumeiro, as malandras piscaram-me o olho e saltaram feitas doidas para o cesto das compras.


Mais uma volta pelos corredores em busca de promoções, e não é que as navalhas se puseram a mandar piropos para uma garrafa de tinto com uma lontra no rótulo?!?!


O noivado ficou logo ali anunciado, faltava apenas tratar da boda, que se queria condigna, mas sem luxos nem modernices. Havia que preservar o gostinho das navalhas e tratá-las com o maior dos desvelos.
Como quem diz Guadiana, diz Algarve; e quem diz Algarve diz Cabanas; e quem pensa em Cabanas imagina-se logo sentado à mesa da Noélia, foi só puxar um pouco pela memória e recriar o famoso arroz de limão.
Saiu um risotto, feito segundo e seguindo os preceitos de outra receita já aqui botada. O carolino cedeu a vez de boa vontade ao risotto e o robalo não se espinhou por ser trocado pelas navalhas.
Terminou tudo num casamento perfeito.